Eucalipto dilui custo na avicultura

Eucalipto dilui custo na avicultura

Apostando na diversificação, criadores de frango de corte aderem ao sistema integrado de produção de aves e eucaliptos para tornar aviários autossustentáveis.

Diversificação, autossustentabilidade e reflorestamento. Estas são as palavras mais usadas pelos criadores de frangos e empresas avícola no Noroeste do Paraná. Para reduzir custos e aumentar a renda dos aviários, criadores apostam na produção integrada de frango de corte e eucalipto. Os produtores acreditam que a rentabilidade pode ser ampliada em até 10% com a prática.

O produtor Paulo Antônio Maciel tem quatro aviários em Japurá. Durante o ano os viveiros de Maciel recebem seis lotes de pintinhos (110 mil aves por etapa de criação), de onde saem cerca de 660 mil frangos para o abate. Para manter os aviários aquecidos, ele gasta cerca de R$ 8 mil por ano com a compra de madeira.

Para reduzir custos, há um ano e meio Maciel cercou a propriedade com 27 mil mudas de eucalipto, que agora estão com aproximadamente sete metros de altura. Quando completarem três anos as árvores poderão ser cortadas e utilizadas nos fornos. Com cinco, os eucaliptos servirão para a construção ou ampliação dos aviários. “É uma economia que faz a diferença. Além disso, as árvores protegem os aviários dos ventos e da poluição, que interferem significativamente na produção. Funciona como uma espécie de filtro verde”, explica.

De acordo com o gerente de ex­­pansão da indústria avícola Fran­gos Canção, Aguinaldo Bulla, a madeira faz parte de todo o processo de produção do setor avícola. “É usada na construção dos aviários, no aquecimento dos lotes, na secagem do milho, nas caldeiras frigoríficas e no processamento de subprodutos”, afirma.

Os criadores João Francisco de Oliveira e o filho Diego Precinotto também plantaram as mudas em volta dos aviários. “Enquanto tem gente desmatando nós estamos reflorestando”, diz Oliveira. “Como as árvores serão cortadas em etapas, respeitando o ciclo de crescimento e a reposição de novas mudas, as áreas de reflorestamento serão mantidas”, complementa Bulla.

Segundo o gerente da Frangos Canção, a cada mil aves criadas há uma demanda de 4 metros cúbi­­cos de madeira de eucaliptos. “O país tem uma produção anual de 5 bilhões de cabeças de frango de corte, o que corresponde a um consumo de 20 milhões de metros cúbicos de madeira. O Paraná, maior produtor de aves do país, concentra a produção de 23% desse volume, com um consumo de 92 mil hectares de terras reflorestadas com eucaliptos”, explica.

Bulla afirma que a prática tem mostrado que as propriedades mais produtivas e rentáveis são aquelas em que o produtor preserva o meio ambiente, por isso a integração entre avicultura e plantação de eucalipto é tão importante. “Respeitando o manejo e a utilização da floresta de eucaliptos, os produtores podem até mesmo vender o excesso de madeira para as indústrias que fabricam papel”, lembra Bulla.

Paraná lidera a produção

Empresas e criadores paranaenses fazem do estado o líder nacional em produção de frango. Segundo o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sin­diavipar), foram produzidos, entre janeiro e maio desde ano, quase 500 mil cabeças de frango, enquanto em todo o ano passado o número chegou a 1,2 milhão.

Em 2009, o Paraná exportou 361,5 milhões de quilos de frango no acumulado janeiro a maio, o que rendeu um faturamento de U$$ 490 milhões. O desempenho representa 25,8% de toda a exportação de frango de corte nacional, menor apenas do que Santa Catarina.

De acordo com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Es­­tado do Paraná (Seab), em agosto de 2000 existiam 5.810 aviários cadastrados. Atualmente, este número qua­­se dobrou, superando os 11 mil em pouco menos de uma década.

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